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Please use this identifier to cite or link to this item: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/10136
Tipo do documento: Dissertação
Título: Racismo na educação: estratégia do Estado & uma possibilidade de superação
Autor: Pereira, Maurício
Primeiro orientador: Cortella, Mario Sergio
Resumo: A presente dissertação surge da minha indignação ao racismo premente na sociedade brasileira e particularmente na educação - denunciá-lo na expectativa de contribuir para superá-lo é a tarefa que me dispus realizar. Este trabalho está dividido em duas partes: a primeira traz um estudo histórico sobre o pensamento desenvolvido pela elite brasileira a partir das últimas décadas do século XIX em consonância com o desenvolvimento da fase imperialista do sistema capitalista, o qual necessitava de ideologia inferiorizadora dos povos, culturas, ocupantes do espaço geográficos ambicionados pela fome de exploração das riquezas naturais e humanas. Tal justificativa de dominação usará dos aspectos físicos, como a cor da pele a conformação do cabelo, alegando que os de aparência igual as dos capitalistas europeus e estadunidenses são superiores culturalmente, são civilizados, mais inteligentes, portanto naturalmente os indicados para comandar o mundo. A esta ideologia é dada o nome de racismo. No Brasil o racismo foi, e ainda é, algoz da parcela da população advinda da diáspora imposta à África. Descendentes dos homens e mulheres que foram arrastados para cá, postos em condição de escravos, fizeram a fortuna dos ricos deste país, principalmente nos engenhos de açúcar, nas minas de ouro e diamantes e nos cafezais, foram, mesmo antes do fim legal da escravidão, postos para escanteio do mundo do trabalho pela política do imigrantismo. Do ponto de vista cultural o racismo é eurocêntrico, e para impor esta cultura a elite nacional massacrou, muitas vezes literalmente, os agentes culturais de matrizes africanas. No branqueamento de nossa cultura o sistema escolar teve uma posição destacada, pois a escola é um aparelho ideológico por excelência. Instituída pela República, iniciando com o racismo positivista comteano e liberal de Spencer, chegando ao ápice na Constituição Federal de 1934, com o eugenismo, nome dado ao racismo científico elaborado por Francis Galton, ideia que angariou apoio de uma gigantesca malta de intelectuais brasileiros, entre eles inúmeros educadores. Durante o Estado Novo e a Ditadura Militar o racismo oficial é o chamado de cordial, perverso porque sua característica primeira é a refutação da existência do próprio racismo, prejudicando assim os mecanismos para suplantá-lo. A segunda parte desta dissertação é busca da cura deste câncer social que é o racismo. Em 2003 o Movimento Negro obteve uma vitória legal, foi sancionada a Lei 10.639 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro- Brasileira , posteriormente ampliada para resguardar, também, a contribuição das comunidades indígenas. Em 2009, decorridos já seis anos da aprovação da lei, na prática pouco se alterou no currículo vivido nas salas de aulas. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Comandante Garcia D Ávila, localizada no Morro da Casa Verde no município de São Paulo é no mínimo uma escola onde temática de superação do racismo está presente. O jornal a Folha de S. Paulo, entre outros jornais, publicou matéria divulgando atividades pedagógicas realizadas em pareceria entre o Garcia D Ávila as Escolas de Sambas: Unidos do Peruche e Morro da Casa Verde. Por sugestão do Filósofo Mario Sergio Cortella, realizei um estudo de caso nesta escola, por meio de entrevistas ao alunado, ao corpo docente e ao pessoal das escolas de samba depositárias dos bens culturais afro-descendente. Sob a luz dos saberes que devem estar presentes no ato de ensinar listados por Paulo Freire e sob os princípios que devem nortear as bases filosóficas e pedagógicas de um currículo anti-racista procurei identificar o quanto a comunidade da EMEF Comandante Garcia D Ávila já caminhou e quais exemplos ela pode dar na luta contra a hegemonia do pensamento racista que perdura na nossa educação. Mas, mudará, pois "O mundo não é, o mundo está sendo" (Freire, Paulo. 2008, p. 76)
Abstract: The present dissertation comes from my indignation about the permanency of racism in Brazilian society, particularly in the educational segment. The main purpose of this research is to denounce it, and hopefully contribute to its defeat. This work is divided into two parts. The first one brings up a historical study of the thinking developed by the Brazilian elite scholars during the last decades of the 19th century, according to the development of the imperialist period of the Capitalist System, which needed an ideology that could classify poor people and their culture as secondrate. In order to justify this domination, they use physical aspects as the colour of the skin and the type of the hair, by saying that those who resemble Europeans and Americans capitalists are culturally superior, civilized, and more intelligent, so naturally nominated to rule the world. Such an ideology is called racism. In Brazil racism still is the executioner of part of the population that came from the Diaspora imposed to Africa. Lots of Africans have been dragged into Brazil as slaves. They made up the wealth for the white people, for instance working as sugar-cane cutters, on coffee plantations or excavating for gold and diamond in mines, usually in extremely inhuman conditions. Even before the legal end of slavery, they had already been banished from the world of work by the immigration policy. From a cultural point of view, racism is a Eurocentric concept. To impose such a concept the national elite massacred - even literally- the cultural agent with an African background. The school system has been had an outstanding role within the whitening of our culture, for it is a powerful ideological tool. Such a politics began with Comte s positivist racism as well as Spencer s liberal thinking. It got to its top level with the Constitution of 1934. By this period Francis Galton elaborated the eugenism concept (the name used to be given to scientific racism), along with lots of Brazilian intellectuals and scholars. During the period named Estado Novo and during the military dictatorship, the official racism began to be called cordial racism. In fact it is even more perverse because its first characteristic is to refute its own existence. That is why it makes difficult to find ways to overcome it. The second part f this dissertation is a search for the cure of this social cancer, namely racism. In the year of 2003, the Black Movement had a legal victory: the Law 10.639. It changes the Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (the guiding rules of Brazilian Education), including in the official curriculum of the schools the obligatory teaching of History and Afro-Brazilian Culture , later enlarged in order to attend to the indigenous communities. In the year of 2009, it will have been already 6 years from the approval of the aforementioned law. Despite that, it seems that it practically has not changed yet the curriculum inside the classrooms. The Municipal School Comandante Garcia D Ávila, located at Morro da Casa Verde, in the city of São Paulo, is a school where the issue of the overcoming of racism can be seen. The newspaper Folha de S. Paulo, among others, published an article talking about the pedagogical activities performed at this school, as well as at the samba schools Unidos do Peruche and Morro da Casa Verde. Following the suggestion of philosopher Mario Sergio Cortella, we performed a case study at the referred school , by means of interviews with the students, teachers and the crew of the samba schools, the latter being the owners of the afro descendent cultural properties. According to Paulo Freire, there is knowledge that must be present when one teaches. Throughout these principles, which ordinate the philosophical base and pedagogical antiracist curriculum, we tried to identify how much the community of the school EMEF Comandante Garcia D Ávila has already acquired against the hegemony of the racist thinking, which still prevails in our Education, but not forever, i.e., The world isn t. The world is still being (Freire, Paulo. 2008, p. 76)
Palavras-chave: História da educação
Racismo
Anti-racismo
History of education
Racism
Anti-racism
Discriminacao em educacao -- Sao Paulo (cidade) -- Estudo de caso
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Idioma: por
País: BR
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da instituição: PUC-SP
Departamento: Educação
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Currículo
Citação: Pereira, Maurício. Racismo na educação: estratégia do Estado & uma possibilidade de superação. 2009. 189 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/10136
Data de defesa: 15-May-2009
Appears in Collections:Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Currículo

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